ANA - Análise de Negócios no Amazonas - Setembro/2025
INTRODUÇÃO
- Procedemos à análise de curto e médio prazo do ambiente de negócios do estado do Amazonas. Espera-se que, ao longo dos sucessivos estudos mensais, consigamos demonstrar o efeito das políticas, decisões dos agentes econômicos, dinamismo das transações e bem-estar social da população amazonense. Especial ênfase prestaremos a mudanças em torno dos instrumentos financeiros, estratégias corporativas e inovação;
- ESTRUTURA DO RELATÓRIO: Esta edição se apresenta na seguinte estrutura: Nesta introdução, além de explicar os objetivos do relatório, há análise dos grandes números da economia amazonense, com destaque ao perfil do Produto Interno Bruto - PIB. Depois, há análise geral dos indicadores mensais de atividades. A terceira fase contém análise detalhada dos três principais setores, Comércio, Serviços e Indústria, buscando dados com máxima capilaridade. A quarta etapa apresenta dados gerais de importações, e empregos, posto que são os de periodicidade mais imediata. A penúltima seção é de tema livre, como agora atualizamos a análise do relatório anterior quanto às estimativas de formação de estoque no Polo Industrial de Manaus. As conclusões apontam para uma avaliação geral da economia amazonense no mês de julho de 2025 e perspectiva para os meses seguintes;
- O principal indicador econômico, o Produto Interno Bruto, ou PIB, expresso pelo Valor Adicionado mais os impostos sobre Produto ou Produção é publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para os estados brasileiros com defasagem de dois anos. Agora são disponíveis apenas dados sob a ótica da produção para até o ano de 2022, e sob a ótica da renda, que inclui os tributos, somente até 2021;
- Estudo de Costa, Rocha e Machado (2024), com os dados de 2021, demonstraram as proporções da economia amazonense ante região Norte e Brasil. Na composição do PIB da região Norte, a economia amazonense corresponde a 29,4% do Valor Bruto da Produção, 37,3% do Consumo Intermediário, 21,8% do Valor Adicionado, 24,1% das Remunerações, 19,9% do Excedente Operacional, e 35,3% da arrecadação de impostos sobre produção. Essa arrecadação faz com que o Amazonas tenha elevada carga tributária sobre o valor adicionado, em uma proporção de 18,2%. Essa carga tributária, para o Brasil como um todo, é de 15,5%, e para a região Norte é de 12,1%. O estudo de Costa, Rocha e Machado (2024) aponta como provável causa dessas proporções o fato de a economia amazonense ser, entre os estados brasileiros, a com mais forte base em indústria da transformação, que é origem de 52% do Valor Bruto da Produção do Amazonas;
- De 2021 a 2022 o Valor Adicionado da economia amazonense, sem considerar os tributos, aumentou de R$ 109,2 para R$ 121,8 bilhões. Aumento de 11,5%. O gráfico 01, abaixo, decompõe esta variação, e com auxílio dos gráficos 02 a 04 permite deduzir que as proporções encontradas por Costa, Rocha e Machado (2024) com dados de 2021 evoluíram em 2022 de modo a acentuar a relevância da economia amazonense;
- Em mais detalhes, o acréscimo de 45% no extrativismo, à época, partiu de uma diminuta base de comparação. O extrativismo contribuía com R$ 2,5 bilhões na formação do Valor Adicionado do Amazonas. Em 2022 este volume aumentou para R$ 3,7 bilhões. Já os 27% de aumento no valor adicionado da Indústria da Transformação correspondeu a acréscimo de R$ 8 bilhões sobre os R$ 30,14 bilhões registrados no ano anterior;
- O IBGE divulga os componentes do PIB sob a ótica da produção, no Amazonas, em torno de 12 atividades econômicas. Quais sejam: (i) Agropecuária, (ii) Indústrias extrativas, (iii) Indústrias de transformação, (iv) Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação, (v) Construção, (vi) Comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas, (vii) Transporte, armazenagem e correio, (viii) Informação e comunicação, (ix) Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados, (x) Atividades imobiliárias, (xi) Administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social, e (xii) Outros serviços;
- Por conveniência e melhor visualização reunimos as atividades (iv) a (xii) no grupo "Comércio e Serviços". Desta forma, setor de "Comércio e Serviços" teve o maior acréscimo de volume no período completo sob análise, 2002 a 2022, com ganho de R$ 63,4 bilhões. Afora esta reorganização, a indústria da transformação sempre se destaca, com maior ganho individual não apenas na última evolução anual, de 2021 para 2022, com os R$ 8 bilhões, mas também no período completo sob análise, 2002 a 2021, com acréscimo de R$ 32,6 bilhões. O segundo maior ganho individual em valor adicionado no período completo sob análise foram os serviços administrativos, com R$ 21,4 bilhões, seguidos de Comércio e Reparação de Veículos e Motocicletas, com R$ 11,7 bilhões;
- Para 2023 em diante o principal indicador disponível para acompanhar o desempenho econômico dos estados brasileiros é o índice IBCR, sigla para Índice Banco Central da Atividade Econômica Regional. Para o Amazonas o dado é publicado sob a sigla IBCR-AM. Esse índice tem duas versões, uma nominal e outra ajustada para reduzir os efeitos da sazonalidade. O Banco Central do Brasil (Bacen) publica esse índice em versões regionais e nacional, como um indicador prévio do PIB nacional, que é divulgado trimestralmente, sob a sigla IBC-Br. O Bacen compõe os índices IBC's pelas pesquisas setoriais efetivadas pelo IBGE em contato direto com os agentes econômicos e divulgadas mensalmente. São a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) e Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF);
- Essas pesquisas são os direcionadores das análises setoriais deste relatório. Seus valores são apresentados nas tabelas 01 a 03 e nos gráficos seguintes. Os gráficos trazem os dados desde janeiro de 2023, e sempre que disponíveis, as versões nominais e as versões ajustadas pela sazonalidade (dessazonalizadas). As versões dessazonalizadas são destacadas nas legendas pelos parênteses "(Saz)", e as linhas são pontilhadas. Quando não houver legenda com parênteses (Saz) é porque não há versão dessazonalizada;
- Os índices IBC's e das pesquisas mensais do IBGE usam como base 100 a média da produção do ano de 2022. Como exemplo de interpretação, o valor divulgado pelo IBGE para o volume de produção física da indústria de transformação do Amazonas para o último mês de julho foi 107,38. Ou seja, em julho de 2025 o volume de produção da indústria de transformação do Amazonas foi 7,38 pontos percentuais acima do nível médio mensal da produção de 2022. A divulgação costuma ocorrer com defasagem de dois meses. Abaixo as tabelas 01 a 03 resumem a evolução recente dos índices IBC-Br, IBCR-NO, IBCR-AM, PMS, PMC e PIM-PF. Em seguida, há os gráficos e análises;

ANÁLISE DOS INDICADORES: ECONOMIA GERAL
Em perspectiva geral, a economia amazonense encerrou o mês de junho em forte redução. As tabelas 01 a 03 e o gráfico 01 apresentam os resultados para os principais indicadores econômicos divulgados pelo Banco Central e pelo IBGE, com ênfase ao mês de julho. O índice IBCR-AM divulgado pela versão não ajustada pela sazonalidade foi de 110,57, 3,2% superior ao valor de junho de 2025. Na versão em que o indicador é ajustado pela sazonalidade, contudo, houve redução de 1,8%, chegando ao valor de 109,22. A elevada diferença entre a versão nominal e a ajustada pela sazonalidade indicam que um movimento típico do mês de julho, que é a retomada após o intervalo em junho. O movimento foi inverso ao ocorrido de junho para maio. Os demais indicadores confirmarão, a raiz da retomada foi a produção da indústria de transformação, com aumento de 5,2% no índice PIM-PF (T), a produção física da indústria de transformação.
As tabelas abaixo resumem os principais indicadores, posicionando o Amazonas em relação à Região Norte e o Brasil, e à evolução temporal de curto e médio prazos.
- O gráficos 05 e 06 comparam o desempenho histórico do Brasil, Norte e Amazonas, de janeiro de 2023 a julho de 2025. Eles mostram que a economia amazonense costuma ter desempenho melhor e mais volátil que a do Brasil. Nos últimos anos, os estados menores da Região Norte, como Roraima, estão em forte crescimento sobre uma base fraca de comparação, o que leva o índice da Região Norte a superar o do Amazonas em muitas ocasiões do período.
COMÉRCIO
- Os resultados da pesquisa PMC trazem índices para duas abordagens, receita e volume físico de vendas, e as amostras são em dois níveis, a restrita considera todos os comércios de gastos recorrentes do consumidor, como supermercados e combustíveis. A ampliada inclui dois setores que expressam um gasto excepcional dos consumidores, como materiais de construção e meios de transporte, entre eles automóveis;
- Os gráficos 02 a 05 apresentam o histórico desses quatro vieses. Entre as conclusões: (i) Os índices de receita são historicamente acima dos índices de volume. É uma forma de ver a inflação. Os valores de julho de 2025 são, para a amostra restrita, 118 para receita e 108 para volume. Para a amostra ampliada, 130 para receita e 118 para volume. Em outras palavras, os comerciantes têm aumentado o faturamento mais pelo aumento de preços que pelo aumento da quantidade vendida; (ii) O nível da amostra ampliada é maior que na amostra restrita, tanto para receita quanto para volume. Indica que nos últimos anos o mercado de automóveis, motocicletas e suas peças, e de materiais de construção, expressou, aumento maior que nas áreas de gastos correntes, como supermercados e combustíveis, como se desde 2022 foi aos gastos extraordinários que os amazonenses dedicaram o aumento das despesas, e tais fornecedores aumentaram mais os preços; (iii) O movimento de julho atípico pelas várias versões que apontaram para volume aumento maior que para os índices de receita. Por exemplo, na amostra ampliada, o volume de vendas aumentou 9,4%, mas a receita aumentou em 9%.
- O indicador de maior capilaridade para o comércio amazonense é o da venda de combustíveis pelas distribuidoras, divulgado pela Agência Nacional de Petróleo - ANP. O histórico é semelhante aos padrões apontados pela PMC, com o primeiro semestre de 2025 ligeiramente superior ao primeiro semestre de 2024. O ápice costuma ser no fim do ano e no mês de julho costuma haver a retomada após a queda em junho. Foi o que ocorreu agora. O Amazonas consumiu 195 mil metros cúbicos em combustíveis no último mês de julho;
- Apesar de estar relacionado ao Comércio, a venda de combustíveis conforme divulgada pela Agência Nacional de Petróleo - ANP, não compõe o mesmo objeto da pesquisa PMC. Este é varejo, aquele é atacado. Mas conclusões interessantes podem ser extraídas. Destaque à acentuada queda em novembro de 2023, na primeira ocasião histórica de suspensão da navegabilidade nos rios amazônicos em virtude da estiagem. Mantivesse a tendência, poderia ter arriscado o abastecimento de combustíveis nos postos amazonenses;
SERVIÇOS
- Os valores da pesquisa PMS trazer conclusão semelhante à da PMC quanto à diferença entre receita e volume. Na verdade, os resultados mostram que a diferença entre receita e volume ofertados, no Amazonas é mais grave no setor de serviços. No Amazonas está havendo forte inflação no setor de serviços. Em julho o valor PMS foi 121 para receita, ou 21 pontos percentuais acima da média de 2022, enquanto o indicador de volume foi 106, ou 6 pontos percentuais acima da média de 2022;
- A pesquisa PMS compõe os serviços fortemente pelas atividades de turismo e transportes. No Amazonas, os números de maior capilaridade são os divulgados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Antaq, para o transporte fluvial de cargas, e pela Agência Nacional de Aviação Civil, Anac, para o transporte aéreo, de cargas e passageiros;
- O Amazonas se destaca no transporte fluvial de cargas pelos maiores portos fluviais de contêineres do Brasil, Chibatão e Super Terminais, mais voltados à logística de transportes do Polo Industrial de Manaus - PIM, enquanto Hermasa e Novo Remanso são relevantes portos de granéis sólidos para transbordo dos produtos do agronegócio do Centro-Oeste. Os dados da Antaq para transporte fluvial de cargas mostram o total movimentado em toneladas, que incluem as cargas a granel e conteinerizadas, e o total movimentado em TEU's (unidade equivalente a um contêiner de vinte pés). Gráficos 14 a 18;
- O pico de movimentação das cargas a granel costuma ocorrer no primeiro semestre do ano, coincidindo com a colheita da soja do noroeste do Mato Grosso. No último mês de maio ocorreu o recorde histórico de movimentação de cargas no Amazonas, com 4,6 milhões de toneladas, incluindo granéis e contêineres, embarques e desembarques. Naquele mês recorde também foi para considerando apenas os granéis sólidos, com total de 2,5 milhões de toneladas. O pico de movimentação neste primeiro semestre de 2025 ocorre pelos elevados volumes em ambos os grandes vetores logísticos do Amazonas: Os contêineres para o PIM e os granéis para o agronegócio do Centro-Oeste. No mês de julho há aumento surpreendente entre os granéis, mas redução na movimentação de carga em contêineres. Frustração parcial ao que se esperava para retomada do segundo semestre.
- O aeroporto Eduardo Gomes desempenha papel fundamental para a economia amazonense devido o transporte de insumos e produtos de maior valor agregado relacionados às cadeias produtivas do PIM. Destaque a produtos químicos, eletrônicos e bens de informática, e metais raros. Como se percebe nos gráficos 19 a 21, estes setores não estão, no primeiro semestre de 2025, com desempenho muito superior ao mesmo período de 2024. Em 2023 e 2024 o aeroporto foi ainda mais importante no último quadrimestre como solução em meio à Seca, que restringiu o transporte fluvial;
- Dentre os dados capilares do setor de Serviços, a movimentação de cargas no aeroporto foi o único em que o volume em 2025 está inferior a 2024. A recordar que o volume de Serviços, nas pesquisas PMS, estão inferiores à receita, percebem-se três possibilidades: (i) Mesmo com o acréscimo de volume nos portos, os preços portuários elevaram-se ainda mais, (ii) Os preços aeroportuários elevaram-se em proporção bem maior que dos preços portuários ou (iii) Os preços elevaram-se mais nos setores não alcançados pelos dados capilares, como turismo;
INDÚSTRIA
- O estado do Amazonas apresenta perfil peculiar quanto à produção industrial. A Indústria Geral é composta, em divisão elementar, pela indústria de transformação e indústria extrativista. É o estado em que a indústria de transformação inscreve a maior participação no PIB. A indústria extrativista é composta basicamente pela extração de hidrocarbonetos, petróleo e gás natural. A indústria de transformação tem, em um ambiente menor, a refinaria REAM, o processamento do petróleo. Em ambiente maior, tem o Polo Industrial de Manaus, com aproximadamente 600 empresas que usufruem dos incentivos da Zona Franca de Manaus em projetos industriais, onde produzem aproximadamente 1.900 diferentes produtos, mas a maior parte do faturamento é concentrada em produtos tais como televisores, motocicletas, ar-condicionado e placas de circuito impressos;
- O IBGE acompanha a indústria por índices de produção física. Os gráficos 22 a 24 mostram os resultados gerais. Consecutivamente, indústria geral, extrativista e transformação. Depois há seções particulares para a indústria extrativista e de transformação. O indicador da Indústria Geral teve seu ápice no início de 2023. Naquela época ambos os lados da indústria estavam com elevada produção. No primeiro semestre de 2025 a indústria extrativista tem mantido sua produção abaixo da média de 2022, isso tem contido severamente o desempenho da indústria geral. Julho traz para o segundo semestre um forte início para a indústria extrativista, com aumento de 5,6%. A indústria de transformação, por sua vez, tem se mantido acima da média de 2022. Contudo, há que realizar nova decomposição entre o PIM e a Ream. O pico de março de 2023 provavelmente foi ocasião em que PIM e Ream coincidiram elevada produção. Os dados mostrarão, em julho de 2025 repetiu-se essa coincidência.
Indústria extrativista
- O Amazonas tem longa tradição em hidrocarbonetos, com os dados recentes expressos nos gráficos 25 a 27. Cadeia completa, exploração, refino e distribuição. Pioneiro no refino. Contudo, não tem sido mais autossuficiente. O consumo de derivados de petróleo está em torno de 195 mil metros cúbicos por mês. A produção de petróleo, em torno de 53 mil metros cúbicos. É uma produção pequena, com aumento pontual, de 3,6%, no mês de julho, mas de elevada qualidade, com ocasiões que marcam 60º API. O Amazonas também tem produção de gás relevante, onde encontra autossuficiência para a produção de energia elétrica, abastecendo termoelétricas na cidade de Manaus. Hoje, a extração de gás registra o montante de 451 milhões de metros cúbicos. Aumento de 5%, que o aproxima das máximas de 2023, quando registrou 460 milhões de metros cúbicos;
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Indústria da transformação
- O indicador de produção física da indústria transformação do Amazonas, o PIM-PF, divulgado pelo IBGE, cresceu em 5,2% de junho a julho de 2025, de 102 para 107,4. Em junho houve movimento típico de queda de meio de ano. Agora, em julho observa-se a também típica retomada;
- Por sua vez, os motivos para a subida no índice PFM da indústria de transformação do Amazonas foram o repique na produção de combustíveis e a produção dos setores de Produtos Químicos e Termoplástico. Na REAM a produção alcançou 150 mil metros cúbicos. Algo que não ocorria desde fevereiro de 2024. Em junho havia sido de 80 mil, que tem sido a média dos últimos tempos. Os dados da ANP já são disponíveis para agosto, e apontam para retorno ao patamar anterior. Forte queda de 40%, para 90 mil metros cúbicos, como ilustra o gráfico 29.
- O gráfico 28 ainda aponta para desempenhos contrastantes entre os subsetores representativos do PIM. Os setores Químico, Máquinas, Metal e Termoplástico mostraram forte aumento no número-índice de produção física. Os setores Duas Rodas e Naval, Informática e Elétrico foram aquém;
- De modo peculiar quando em comparação ao restante do Brasil, o Amazonas tem para a indústria de transformação dados detalhados acerca de faturamento, aquisição de insumos, quantidade de empresas, e produção dos itens de destaque. É devido à atividade de monitoramento e fiscalização efetivada pela autarquia Superintendência da Zona Franca de Manaus, Suframa, que administra o usufruto de incentivos tributários da Zona Franca de Manaus. Do relatório mensal da Suframa destacamos, nos gráficos 30 a 36, e na tabela 04, o faturamento do Polo Industrial de Manaus;
- O meio do ano costuma expressar um movimento em "V" para o faturamento do Polo Industrial de Manaus. Após forte queda em junho costuma haver recuperação em julho e agosto. Que o faturamento de julho tenha sido apenas 1,18% superior a junho, com R$ 17,64 bilhões, frustra parcialmente essa expectativa. No aguardo para que se concretize em agosto;
- A Tabela 04 destaca os menores setores do PIM. Há o destaque para o setor Relojoeiro, que com o faturamento de julho conseguiu reverter o excesso de estoque apontado em junho;
- Abaixo os gráficos 31 a 36 apresentam o histórico de faturamento dos seis maiores setores do PIM. Quase todos esses grandes setores têm registrado melhoras consistentes no faturamento. O desempenho mais claudicante tem sido reportado para Bens de Informática, que tem lidado com demanda enfraquecida para telefones celulares. Em abril, por exemplo, o faturamento desse setor foi inferior o registrado para o mês nos dois anos anteriores. O vetor de sustentação de eventuais bons números, como em janeiro e fevereiro de 2025, foi a forte produção de PCIs, as placas de circuito impresso;
- Duas Rodas continua com desempenho superior, apesar de forte queda em julho. Movimentos favoráveis são reportados para Químico e Termoplástico. As maiores preocupações estão para o setor Eletrônico e Mecânico. Pois, apesar de recuperações após as quedas de junho, ainda lidam com elevada estocagem. Eletrônico com TVs e Mecânico com ar-condicionado;
O que esperar para os meses seguintes
- Os dados de comércio exterior costumam ser, no Brasil, entre os de maior prontidão. Em meados de setembro o ComexStat já divulgara os dados para agosto. Os dados de importação são particularmente importantes para a dinâmica peculiar da economia amazonense, altamente baseada no Polo Industrial de Manaus. A lógica econômica do ciclo produtivo do PIM consiste em importar insumos para fabricar em Manaus e vender ao mercado interno brasileiro. Assim nós obtemos os dados do ComexStat e, para aproximá-lo da realidade da economia amazonense, excluímos as classes de importados que são menos pertinentes aos ciclos produtivos do PIM, como hidrocarbonetos, sal e grãos. Este processo é apresentado em sequência. Primeiro, no gráfico 37, há os dados para todas as importações. No gráfico 38 há a exclusão dos insumos menos relacionados às cadeias do PIM. No gráfico 39 há as importações somente pelo meio aéreo.;
- Em julho houvera forte alta nas importações do Amazonas. Contudo, este acréscimo não prestou efeitos à produção e faturamento do PIM ainda no mês de julho. Enquanto se espera que se perceba no mês de agosto, já se vê para o próprio mês de agosto forte redução no nível de importação para o PIM;
- Em julho o PIM importou quase US$ 1,2 bilhão, montante 13% inferior que em julho. É uma queda surpreendente, que traz alerta para o segundo semestre de 2025. Em 2024 houve queda semelhante, mas fora de apenas 4,5%, após ter havido o ápice das compras anterior à seca. Na melhor das hipóteses, os importadores perceberam que não havia emergência para antecipar as compras e muitas encomendas serão entregues de modo mais esparso ao longo do último quadrimestre do ano;
- O gráfico 39 detalha as importações para o PIM vindas apenas pelo modal aéreo. Contrasta com a conclusão anterior. São importações de maior valor agregado, sobretudo para Informática e Eletrônicos. Sob essa ótica o volume importado aumentou em 6,5%, para US$ 462 milhões;
- O gráfico 31 e a Tabela 05 demonstram a evolução dos empregos formais, conforme a base de dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Com acréscimo de 1.011 vagas, o Amazonas encerra o mês de julho com 566.350 empregos formais. Dessa vez o vetor de empregabilidade foi o Comércio, com 1.105 vagas, disseminadas entre seus diversos setores. A indústria dessa vez foi o único grande setor que não teve ganhos líquidos de empregabilidade. Os setores de Informática e Eletrônicos registraram demissões líquidas de 848 trabalhadores, demonstrando prognóstico preocupante para o segundo semestre. Em compensação o segundo maior empregador do PIM, Duas Rodas e Naval, acrescentaram 220 vagas;
Análise especial: O nível de estoque de produtos finais
- Abaixo há a Tabela 06 e um quadro resumindo as estimativas de lacuna ou excesso de estoque para os principais produtos do PIM. A Suframa costuma divulgar o acompanhamento dos principais produtos em termo de produção e vendas no acumulado do ano. A estimativa de excesso de estoque resulta do confronto entre a quantidade produzida e vendida no período;
- Na edição anterior deste ANA estimávamos o excesso de estoque dos principais produtos divulgados pela Suframa no montante aproximado de R$ 2,5 bilhões. À época estimamos provável ocorrência do fenômeno "efeito chicote". Em julho a situação piorou. A tabela 06 aponta o montante para os produtos de maior faturamento. Para estes, a estimativa de excesso chega a R$ 2,8 bilhões;
- O Quadro abaixo detalha as movimentações do excesso de estocagem para os principais produtos, de junho de 2025 a julho de 2025:
CONCLUSÃO
- Em julho de 2025 a economia amazonense expressou aumento no nível de atividade, devido ao movimento típico do meio de ano, em que o Polo Industrial de Manaus costuma retomar a produção em julho, após queda em junho, em preparação para o pico do segundo semestre;
- Análise da estrutura de volume e receita em comércio e serviços apontam para um caminho de identificação da inflação. Os índices de receita estão em nível bem superior aos índices de volume;
- O aumento, contudo, não foi na proporção esperada. E os dados de importações apontam provável suavização da produção no segundo semestre. Há possibilidade de o forte aumento nas importações em julho repercutirem de modo esparso nos primeiros meses do segundo semestre.
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Projeto ANA